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OAM repudia alegada execução de Narciso Sambo em Xinavane e exige investigação independente

OAM exige investigação independente sobre morte de Narciso Sambo em Xinavane e alerta para possíveis violações dos direitos humanos.
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A Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM) manifestou profunda preocupação e repúdio perante os relatos sobre a morte do cidadão Narciso Sambo, conhecido por “Macovo”, alegadamente ocorrida durante uma intervenção policial no posto administrativo de Xinavane, distrito da Manhiça, província de Maputo.

Num comunicado divulgado esta terça-feira, 19 de Maio de 2026, a OAM afirmou que, caso se confirme que a vítima foi privada da vida em circunstâncias que configuram uma execução sumária, estará em causa uma das mais graves violações da Constituição da República, do direito à vida, da dignidade humana e dos princípios fundamentais do Estado de Direito Democrático.

A organização destacou que, num Estado baseado na lei, nenhuma pessoa perde a sua condição de sujeito de direitos devido ao seu passado, histórico criminal ou pelas suspeitas existentes contra si.

Segundo a OAM, mesmo quando um cidadão é considerado perigoso, essa condição não elimina as garantias constitucionais nem permite que agentes do Estado assumam o papel dos tribunais.

“A Polícia da República de Moçambique e as suas unidades especializadas existem para prevenir o crime, proteger pessoas e bens, garantir a ordem pública e fazer cumprir a lei. Não lhes compete julgar, condenar ou executar cidadãos”, refere o comunicado.

A Ordem alertou ainda que, quando um agente do Estado assume o poder de decidir quem deve viver ou morrer, deixa de actuar como defensor da legalidade e passa a violar a própria ordem jurídica que tem obrigação de proteger.

Sobre o uso da força letal, a OAM recordou que esta deve obedecer aos princípios da legalidade, necessidade, proporcionalidade e indispensabilidade. Qualquer actuação que ultrapasse esses limites, segundo a organização, deve ser alvo de uma investigação rigorosa e resultar em responsabilização efectiva.

A instituição jurídica considerou que a impunidade em casos de alegadas execuções extrajudiciais prejudica a confiança dos cidadãos nas instituições, enfraquece o Estado de Direito e cria riscos para a normalização da violência praticada por agentes públicos.

Neste sentido, a Ordem dos Advogados de Moçambique exigiu a abertura imediata de investigações independentes, imparciais, rápidas e transparentes para esclarecer todos os factos, identificar os responsáveis directos e eventuais superiores hierárquicos envolvidos, garantindo a responsabilização criminal, disciplinar e civil caso sejam confirmadas violações da lei.

A OAM sublinhou que a defesa dos direitos humanos não deve ser aplicada apenas a pessoas consideradas inocentes, mas a todos os cidadãos, incluindo aqueles envolvidos em situações mais controversas.

“A verdadeira força do Estado de Direito mede-se precisamente nos casos mais difíceis e perante os cidadãos mais impopulares. A justiça não pode ser substituída pela força, nem a legalidade pelo arbítrio”, defendeu a organização.

No comunicado, a Ordem reafirmou o seu compromisso com a defesa dos direitos humanos, da legalidade e do Estado de Direito, destacando que nenhuma autoridade pública está acima da lei.

A instituição reforçou que a protecção da vida humana representa um limite absoluto ao poder do Estado e que esse poder nunca poderá ser exercido através de execuções realizadas fora dos tribunais.

O posicionamento foi assinado pela Bastonária da Ordem dos Advogados de Moçambique, Thera Tobias Dai, em Maputo, no dia 19 de Maio de 2026.

OAM repudia alegada execução de Narciso Sambo em Xinavane e exige investigação independente
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